Infertilidade Masculina
Espermograma Normal
O espermograma possibilita a obtenção de dados relativos a quantidade e qualidade dos espermatozóides; mesmo um espermograma normal não é garantia de fertilidade do homem. A colheita do sêmen se dá por masturbação, após um período de três a cinco dias sem ejaculação. Os principais parâmetros obtidos no exame são:
1. Volume do sêmen: é a quantidade de líquido no ejaculado, que provem das vesículas seminais e da próstata (menos de 5% do ejaculado é composto por espermatozóides). O volume considerado normal é maior ou igual a 2 mL.
2. Concentração de espermatozóides: mede a capacidade de produção dos testículos, devendo ser maior ou igual a 20 milhões de espermatozóides por mL.
3. Motilidade dos espermatozóides: a motilidade progressiva é aquela que produz deslocamento. No mínimo 50% dos espermatozóides devem ter motilidade progressiva.
4. Morfologia dos espermatozóides: é a porcentagem de espermatozóides de forma normal no líquido seminal. Para reprodução, a morfologia utilizada é a de KRUGER, para a qual 14% dos espermatozóides (no mínimo) devem ter forma normal (chamada oval normal).
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O ESPERMOGRAMA NORMAL |
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Volume |
2ml a 4 ml |
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PH (Acidez) |
7,2 – 7,8 |
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Concentração |
Superior a 20 MILHÕES |
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Motilidade |
TipoA = 25 % TipoB = Variável A+B = 50% |
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Morfologia |
OMS = 30% KRUGER = 14% |
Espermograma alterado
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NOMENCLATURA |
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NOME CIENTÍFICO |
QUANTIDADE DE ESPERMATOZÓIDES |
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AZOOSPERMIA |
AUSÊNCIA DE ESPERMATOZÓIDES |
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OLIGOSPERMIA |
ABAIXO DE 20 MILHÕES/ML |
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OLIGOSPERMIA SEVERA |
ABAIXO DE 05 MILHÕES/ML |
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POLISPERMIA |
ACIMA DE 250 MILHÕES/ML |
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NECROSPERMIA |
ESPERMATOZÓIDES MORTOS ACIMA DE 30% |
Causa mais comuns de infertilidade masculina
Azoospermia
A azoospermia é definida como ausência de espermatozóides no sêmen causada por obstrução das vias de saída dos espermatozóides (azoospermia obstrutiva - AO), por ausência de produção ou alteração da emissão (azoospermia não-obstrutiva - ANO).

Azoospermia Obstrutiva
A causa mais frequênte de azoospermia obstrutiva é a vasectomia, existindo ainda outras menos comuns como a obstrução dos ductos ejaculatórios e a ausência congênita bilateral dos ductos deferentes (ACBVD). Nas azoospermias obstrutivas a produção de espermatozóides está preservada e as vias de saída estão obstruídas.
O diagnóstico é realizado no exame físico nos casos de vasectomia e ACBVD. Nos casos de obstrução do ducto ejaculatório a análise seminal mostra um volume ejaculado abaixo dos valores normais acompanhado por um Ph ácido. O diagnóstico pode ser confirmado por várias formas, uma delas a deferentografia.
O tratamento depende da causa. Na vasectomia, dependendo da avaliação de alguns fatores do casal, deve ser feita a reversão da vasectomia (vaso-vaso anastomose microcirúrgica) como primeira opção.
Os resultados da cirurgia dependem do tempo da realização da vasectomia (melhor até 15 anos), da experiência do cirurgião e da técnica utilizada na cirurgia (com ou sem microscópio).
A técnica recomendada é a microcirúrgica que utiliza o microscópio para auxílio na anastomose do deferente.
Nos casos de falha na reversão da vasectomia, na impossibilidade de tratamento cirúrgico (ACBVD) ou da opção do casal por utilizar técnica de reprodução assistida, podemos recuperar espermatozóides através de uma punção no testículo ou epidídimo para ser utilizado em fertilização "in vitro"na técnica de Injeção Intracitoplasmática de Espermatozóides (I.C.S.I). A punção é um procedimento realizado com anestesia local no dia da captação dos oócitos da esposa.

PUNÇÃO DO TESTÍCULO
Azoospermia Não-obstrutiva
As causas de ANO são defeitos no controle da produção (hormonal), problemas no próprio testículo determinando alterações na produção dos espermatozóides ou problema na emissão do sêmen (ejaculação retrógrada). Com exceção da ejaculação retrógrada, em todas as outras causas existe uma alteração na produção de espermatozóides tornando o tratamento deste grupo de pacientes mais trabalhoso e complexo.
A avaliação diagnóstica exige uma relação maior de exames que incluem avaliação hormonal, genética e eventualmente de exames de imagem.
O tratamento depende da causa porém com exceção da causa hormonal e da ejaculação retrógrada o casal necessitará da utilização de I.C.S.I.
O primeiro passo para o tratamento de pacientes sem causa identificável ou tratável, é saber se no testículo existem espermatozóides para serem utilizados no laboratório. No momento não existem exames que revelem esse dado com certeza e segurança, tornando a exploração testicular para recuperação de espermatozóides necessária.
A exploração ou mapeamento testicular pode ser realizada previamente ao tratamento, em ambiente de laboratório e associada à criopreservação (congelamento) de espermatozóides, se encontrados tornando possível o início do tratamento do casal com a certeza de existirem espermatozóides para o I.C.S.I. Outra forma é fazer a recuperação de espermatozóides conjuntamente ao tratamento, porém nestes casos é necessário informar ao casal que no caso de não se encontrarem espermatozóides, ou utiliza-se sêmen de doador para continuar o tratamento, ou perde-se todo o tratamento até então realizado.
A exploração testicular é realizada em centro cirúrgico anexo ao laboratório de manipulação de gametas, sob anestesia local associada a anestesia geral. Durante o procedimento procura-se mapear o testículo na tentativa de encontrar um foco de produção de espermatozóides que serão utilizados para injetar os oócitos ou serem congelados para uso posterior.
Em qualquer momento da realização da exploração testicular o material obtido após ser examinado no laboratório de manipulação de gametas é encaminhado para anátomo patológico para estabelecimento do padrão celular dos testículos e eventuais doenças associadas (neoplasia)
Oligospermia: Espermatozóides Reduzidos
- Problemas hormonais: que mais frequentemente são causa de oligospermia do que azoospermia.
- Obstrução: o que pode causar oligospermia assim como azoospermia.
- Efeitos colaterais de tratamentos com drogas: tais como sulfassalazina, que é usada no tratamento de doença intestinal inflamatória (pode causar oligospermia reversível).
- Factores ambientais: como tabagismo e consumo excessivo de álcool podem afectar a produção de espermatozóides adversamente. Banhos quentes frequentes ou saunas também podem reduzir a contagem de espermatozóides, já que os testículos são normalmente mantidos numa temperatura cerca de 1°C abaixo da temperatura corporal. Hipertermia decorrente de infecções virais também pode causar redução usualmente temporária na contagem de espermatozóides.
Astenospermia:
É quando a motilidade dos espermatozóides está diminuída e, segundo alguns autores, é a alteração mais freqüente no espermograma. As causas mais comuns são as infecções, imunológicas, varicocele, tabagismo, alcoolismo, medicamentos, problemas psíquicos, endócrinos, estresse e doenças profissionais.
Oligosastenospermia:
É a diminuição do número e da motilidade dos espermatozóides. As causas são as mesmas citadas nos dois itens anteriores.
Teratospermia:
são alterações do formato do espermatozóide. Os principais responsáveis por estas alterações são: as inflamações, algumas drogas, origem congênita e varicocele. Os espermatozóides capazes de fertilização devem ter formato perfeito
Infecções:
A infecção genital pode ser um fator importante de infertilidade masculina e podem ser identificadas no espermograma . As bactérias mais freqüentes, que podem comprometer a fertilidade do homem, são: Escherichia coli, os Micoplasmas, em especial o Ureaplasma urealyticum, e a Chlamydia trachomatis (DSTs). O diagnóstico pode ser complementado com outros exames laboratoriais. Em alguns casos, a ultra-sonografia da próstata, transretal ou pélvica, pode auxiliar no diagnóstico de infecção crônica da próstata e vesículas seminais.
Varicocele
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Recuperação dos espermatozóides diretamente dos testículos ou epidídimo
Em alguns casos, a qualidade dos espermatozóides é tão inadequada que é impossível realizarmos um tratamento através da coleta obtida pela ejaculação. Assim, temos duas alternativas para que consigamos sucesso no tratamento: PESA e TESA. Através desses procedimentos, os espermatozóides são recuperados diretamente do testículo ou do epidídimo (região próxima do testículo) e, através de ICSI, os óvulos são fertilizados. As principais técnicas são:
PESA (Aspiração microepididimal do esperma):
Aspira-se uma pequena quantidade de sêmen do epidídimo e os espermatozóides recuperados são utilizados para fertilização por ICSI.
TESA (Biópsia do tecido testicular):
É uma técnica similar, na qual os espermatozóides são retirados por uma minúscula biópsia de tecido testicular. Depois, são recuperados e, a exemplo da técnica anterior, são utilizados para fertilização por ICSI.
MICRODISSECÇÃO:
É uma microcirurgia que possibilita a retirada dos espermatozóides diretamente dos ductos seminíferos, que é o local onde eles estão em maior concentração. Esta técnica é utilizada em homens que não eliminam espermatozóides pela ejaculação, mas fabricam em pequena quantidade. A vantagem quando comparada com outras técnicas é o fato de ser menos agressiva e oferecer a possibilidade de se retirar várias amostras de esperma, possibilitando o congelamento para uso futuro.
Os resultados de PESA, TESA e MICRODISSECÇÃO têm sido bastante encorajadores, sugerindo que os homens que por motivos diversos (inclusive vasectomia) são incapazes de ejacular ou produzir esperma, são agora capazes, por estas técnicas, de suprir o(s) espermatozóide(s) para fertilização dos óvulos de sua esposa. A mulher, evidentemente, deve seguir os procedimentos rotineiros de super ovulação e coleta de óvulos.
Banco de Sêmen (Sêmen do Doador)
Em algumas situações especiais de infertilidade masculina grave, a única opção é a utilização de esperma de doador, guardado em "Banco de Esperma", de idoneidade indiscutível. São casos de falta total de esperma (azoospermia, vasectomia), Aids, doenças hereditárias transmissíveis e tratamentos de quimioterapia. Mulheres solteiras que desejam ter filhos, dentro dos princípios éticos, podem também se beneficiar desse recurso. Os doadores são selecionados segundo critérios rigorosos: idade superior a 21 anos, mas inferior a 40 anos, integridade física e mental comprovada, fertilidade reconhecida, sempre anônima e de acordo com as características físicas e intelectuais que estejam em harmonia com o interesse do casal.
"Mix" de espermatozóides
"Mix" em inglês significa mistura. Esta técnica é utilizada em casos especiais e com o consentimento do casal quando o homem tem uma quantidade e qualidade dos espermatozóides muito abaixo do ideal, a ponto de impedir a gravidez, mesmo quando forem utilizadas as técnicas avançadas de Reprodução Assistida. São situações em que o homem tem dificuldade em aceitar o Banco de Sêmen e esta pode ser uma solução psicologicamente confortável. O sêmen do futuro pai é misturado com o sêmen do doador (Banco de Sêmen) fazendo um 'MIX "e os óvulos fertilizados com este produto final. A origem genética do bebê só será conhecida se houver interesse de um dos membros do casal. É obrigatório a assinatura do consentimento informado pelo casal para que não haja dúvidas no futuro.
QUADRO EXPLICATIVO DOS TIPOS DE TRATAMENTO DE ACORDO COM O DIAGNÓSTICO
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Fonte: http://www.fertilidadedohomem.com.br/tratamentos.html
Corresponde a diminuição do número de espermatozóides. Pode ser discreta, moderada ou severa dependendo da proporção desta redução. As causas podem ser hormonais, efeitos colaterais de medicamentos, fatores ambientais, infecções (DST´s), hábitos inadequados varicocele e outros.. Causas comuns incluem:
