Dividindo atenção
Aprender a dividir pode ser o aspecto mais difícil de aprender numa família. Mas também pode ser a coisa mais importante a ser aprendida na infância, pois aprender a dividir significa aprender a compreender os sentimentos do outro. Sempre que me trazem uma crancinha que gosta de puxar o cabelo ou de morder os outros, recomendo que seus pais encontrem outra criancinha que também goste de fazer isso e que deixem ambas juntas. Uma atacará a outra. A atacada ficará totalmente chocada e mostrará que, de repente, percebeu que ser mordida e ter o cabelo puxado dói. Nunca mais voltará a fazer isso. Essa pode ser a primeira lição vivida do que significa agir sobre uma outra pessoa. Aprender a dividir pode ser doloroso, embora compensador.
Os pais têm seus próprios problemas quanto a dividir. Ao pensarem num novo bebê, poucos pais se sentem realmente capazes de cuidar de mais de uma criança. E assim podem transmitir esse sentimento de inaptidão para o primeiro filho, como um medo de não ter disponibilidade para ele. Ter mais de um filho exige que os pais planejem dividir a atenção. Reservar um período de tempo especial para a criança mais velha torna-se tão importante quanto ficar disponível para o bebê.
Quando você estiver esperando um novo filho, prepare o mais velho para a separação e para as mudanças que ocorrerão em seu relacionamento com ele. Deixe-o aprender a participar e a identificar-se com você como a pessoa que cuida do bebê. Ao invés de afastá-lo a fim de “proteger o bebê”, deixe-o aprender a ser carinhoso, a segurar e a embalar, a alimentar a nova criança. Ele sentirá que o bebê é dele também.
Com o recém-nascido já em casa, solicitando muito de seu tempo e energia, reserve um período especial e exclusivo para a criança (ou crianças) mais velha, sem a presença do bebê. Qualquer criança mais velha merece a garantia de passar uma pequena parte do tempo com cada um dos pais. A quantidade de tempo não importa, mas sim a qualidade. Uma hora semanal para cada criança com cada um dos pais pode ser muito preciosa para manter os relacionamentos, devendo ser reservada exclusivamente para essa criança e usada por ela da melhor maneira. E deve-se falar dessa hora pelo resto da semana. Ou, se for o pai: 'Eu queria poder faltar ao trabalho e ficar em casa, mas você sabe que não posso. Porém, teremos uma hora – nossa hora – durante a semana, e então poderemos fazer nossas coisas juntos. Isso porque você é minha filha (ou filho), e eu queria poder ficar a semana toda com você'. Os momentos especiais podem ser curtos, mas sua qualidade une a família.
Quando se planeja uma família grande, o intervalo entre os filhos pode ser ainda mais importante. Não tenho dúvidas de que as crianças mais velhas podem significar muito para as menores. É praticamente inevitável o fato de um terceiro ou quarto filho se beneficiar da maior experiência dos pais, e do fato de ter irmãos mais velhos com os quais aprenderá e dos quais dependerá. Hoje em dia uma família grande é cada vez mais rara, não sem motivos, mas os filhos de famílias pequenas muitas vezes perdem algo. As crianças mais velhas numa família grande, podem criar e observar seus pais criarem os irmãos ou irmãs menores. Muitos estudos demonstram que criar um filho é bem mais fácil para pais de famílias grandes, que participaram da experiência de criar irmãos menores. As mães que viram suas próprias mães amamentarem um bebê, na grande maioria das vezes são bem- sucedidas na amamentação de seus próprios filhos. Mas ter muitas crianças pequenas e exigentes pode ser um pesadelo. Dar um intervalo mínimo de dois anos - de preferência de três a cinco - entre cada filho pode tomar uma família grande mais divertida.
E quanto às mães com mais de 35 anos que acreditam dispor de um tempo limitado para ter filhos? Elas devem se apressar em tê-los no menor espaço de tempo possível? Claro que não. Uma mãe mais velha irá achar cada bebê exigente, exaustivo, e singularmente agradável. Para os pais de mais idade provavelmente é ainda mais importante desfrutar ao máximo cada bebê, pois o trabalho físico precisa ser contrabalançado com compensações.
Determinar o intervalo de tempo entre os filhos deve ser uma decisão egoísta; os pais devem refletir muito sobre suas próprias necessidades e suas energias disponíveis.
Diretrizes
1. Não deixe que seus próprios problemas quanto à separação da criança mais velha a impeça de sentir a solidão dela.
2. Prepare a criança mais velha para a separação que ocorrerá quando você for ausentar-se para ter o novo bebê. Encontrar o momento oportuno pode ser importante - cedo demais talvez seja frustrante, mas trate de deixar clara a separação e de discuti-la antes que ela ocorra.
3. Dê à criança mais velha um objeto de estimação especial, para ela brincar e imitá-la enquanto você cuida do bebê.
4. Estabeleça ocasiões especiais para a criança mais velha segurar e cuidar do bebê.
5. Reserve momentos especiais para ficar com a criança mais velha e planeje-os sem o bebê.
6. Fale a respeito desses momentos especiais em todas as outras ocasiões, para que eles simbolizem o quanto você sente falta do antigo relacionamento exclusivo com a criança.
7. Quando os pais não se cansam demasiadamente com a rivalidade entre irmãos, fica mais fácil para a criança expressar seus sentimentos.
8. Esteja preparada para as regressões de desenvolvimento que provavelmente ocorrerão na criança mais velha, que poderá se tornar mais negativista, ter acessos de raiva, voltar a urinar na cama, falar feito bebê, querer ser tratada como um bebê etc. A criança mais velha, geralmente, regride nas esferas que acabou de dominar, mas a regressão pode ser pouco óbvia e pouco específica. O papel dos pais é apoiar e não punir ou mostrar desapontamento. Se essa regressão durar muito tempo, os pais podem começar por explicá-la como um sinal de que ela está se identificando com o novo bebê. Propiciar-lhe uma compreensão de si mesma pode ser terapêutica.
9. Dar atenção especial às necessidades de desabafo da criança mais velha, decerto vale a pena. Uma criança de dois a três anos pode resolver muitos dos problemas que tem em casa, participando de um grupo de recreação com crianças da mesma idade. O negativismo natural do segundo ano de vida pode encontrar escapes em brincadeiras imitativas com outras crianças negativistas da mesma idade.
10. Tudo isso indica o quanto é importante decidir quando ter o segundo filho, levando-se em conta a capacidade dos pais de guardarem energia física e emocional para a criança mais velha. Se os pais souberem determinar o intervalo de tempo, a criança mais velha se ajustará a qualquer configuração.
Quaisquer dúvidas estamos a disposição.
Equipe Ed. Infantil
Dividindo atenção
6. Fale a respeito desses momentos especiais em todas as outras ocasiões, para que eles simbolizem o quanto você sente falta do antigo relacionamento exclusivo com a criança.
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Fonte : http://www.crescimento.com.br/
