Chupeta ou Dedo?

Os bebês usam a sucção para se acalmar. O hábito vem desde o útero materno --há até quem consiga ver o filho chupando o dedo durante um ultra-som na gravidez --, e é a forma como muitas crianças lidam com a tensão.
Há muitas vantagem em deixar o bebê chupar o dedo em vez de usar uma chupeta: os dedos estão sempre disponíveis, não caem no chão, não são presos de forma potencialmente perigosa à roupa da criança e estão sempre sob o controle dela.
É um hábito que geralmente vai embora sozinho quando a criança desenvolve outras formas de se confortar, por volta de 4 ou 5 anos, embora muitas delas acabem chupando o dedo à noite ou em situações de mais ansiedade ou estresse por anos a fio.
Se seu filho chora muito e demonstra ser mais "sugador", a chupeta também pode ser uma maneira eficiente de acalmá-lo e de dar um respiro para toda a família. Saiba, contudo, que há uma ligação entre o uso frequente de chupeta e a ocorrência de otites. Acredita-se que a sucção da chupeta eleve a chances de uma infecção migrar da boca para a tuba auditiva (trompa de Eustáquio). Para minimizar os riscos, tente limitar o uso da chupeta, como, por exemplo, só oferecendo-a na hora de dormir.
E é também neste momento que a chupeta é apontada por algumas pesquisas como um fator que ajuda a prevenir a síndrome da morte súbita infantil (SIDS, na sigla em inglês), uma condição ainda inexplicável que leva à morte de bebê menores de 1 ano. Mas não se preocupe se seu filho não gosta de chupeta e não vá forçá-lo a chupar só por causa da possível relação no caso da síndrome. Tranquilize-se e leia nosso artigo com dicas de como proteger o seu bebê).
Se você estiver dando de mamar, é melhor esperar o bebê completar pelo menos 1 mês antes de oferecer a chupeta, já que seu uso cedo demais pode interferir no aleitamento materno.
Alguns especialistas acreditam que a chupeta pode confundir o bebê que mama no peito e dificultar a "pega" correta. Outro problema apontado por quem é contra a chupeta é que o tempo com ela na boca reduziria o tempo que a criança pode passar no peito, comprometendo a produção do leite.
Recomenda-se começar a desacostumar os bebês da chupeta por volta de 1 ano, para evitar problemas com a dentição. Na verdade, chupar o dedo também pode afetar o crescimento e o desenvolvimento dos dentes , mas alguns especialistas acreditam que a chupeta possa, ainda por cima, interferir no desenvolvimento da fala. Não tente acabar com o hábito na marra, porque, até que a criança esteja pronta para isso, as chances de sucesso não são lá muito altas, e vocês dois podem acabar se frustrando.
Se decidir restringir o uso da chupeta, experimente oferecer um "paninho" de tecido macio ou algum brinquedo mais mole para substituir a sensação reconfortante que a criança obtém com ela.
Ortodontia Infantil
A chegada dos dentinhos do bebê
O "nascimento" (ou erupção) dos dentes de leite, fase tão esperada pelos pais, é um momento muito especial na vida do bebê, por lhe trazer mudanças não só físicas, mas também comportamentais e psicológicas. O bebê, até então "banguelinha", está crescendo e adquirindo novas possibilidades de alimentação, já que a vinda dos dentes está prevista para ocorrer próxima dos seis meses de idade, coincidindo com o momento da introdução de novos alimentos além da amamentação.
O comportamento da criança poderá se alterar nessa época, tanto pelos sintomas característicos da fase, como pela descoberta de novas brincadeiras, sensações táteis e de defesa possíveis com a aquisição dos dentinhos. No aspecto psicológico, esse período está relacionado com o surgimento da consciência e a possibilidade da criança construir atos voluntários.
Sintomas comuns
A vinda dos dentes é uma ocorrência natural, que pode estar acompanhada de alguns sinais. Ocorrem sintomas como a "coceira" gengival, provocada pela pressão dos dentes na gengiva, que acaba deixando a criança irritada, às vezes inapetente e com sono agitado. Nessa fase também ocorrem mudanças na vida da criança em relação ao espaço físico que tem para brincar. É quando o bebê passa a ficar mais tempo com os seus brinquedos pelo chão. Esse bebê, encantado com seus novos horizontes brincando pela casa, é o mesmo que está com irritação gengival e, por conta da mãozinha na boca, acaba tendo contato com elementos estranhos. Sem dúvida, isso é muito saudável para o seu crescimento, mas pode levar a diarréias, vômitos e febre. Portanto, apesar das discussões entre pesquisadores do assunto, não se pode afirmar que diarréia, vômito e febre sejam causas diretas da vinda dos dentinhos, já que não existem dados científicos suficientes para comprovar essa relação.
Também é comum o bebê começar a "babar" nessa época. Esse aumento da salivação, entretanto, pode ser atribuído à maturação das glândulas salivares (que ocorre por volta do 7º mês de vida), aliada à dificuldade que o bebê tem de engolir toda essa saliva produzida. Pode-se ainda visualizar uma pequena alteração de cor na gengiva, que fica esbranquiçada, sinalizando o dentinho que está por vir.
Todos esses sintomas estão mais sujeitos a aparecerem durante a erupção dos primeiros dentes de leite e diminuem com o aumento da idade. A chegada dos dentes de leite começa por volta dos seis meses de idade, mas não há motivo para preocupação se ocorrer algum atraso. Hoje em dia é grande o número de bebês que não apresentam nenhum dentinho no seu 1º aniversário. Fique atento se o atraso for geral ou de um dente isolado.
Também podem ocorrer casos de dentes de leite que erupcionam bem antes do previsto, chamados "dentes natais" (ao nascimento da criança) ou "neonatais" (aparecem nas primeiras semanas de vida).
Como ajudar o bebê nessa fase
Através do uso de mordedores podemos trazer alívio para a "coceira" gengival e, se os colocarmos antes na geladeira, o frio ajudará a confortar a região. A introdução de alimentos mais duros também poderá massagear a gengiva.
É possível ainda ajudar o bebê de outras formas para facilitar essa fase da erupção dos dentes:
-
A partir do sexto mês, siga a introdução de novos alimentos de acordo com a orientação do pediatra, mas, independentemente da chegada dos dentinhos, vá progredindo lentamente nesse processo de aumento da consistência dos alimentos para estimular e ensinar a mastigação (mesmo sem nenhum dente na boca);
-
A amamentação deverá ser aos poucos suprimida de madrugada e, após a última mamada, deve-se higienizar os dentinhos, estabelecendo essa rotina antes de dormir;
-
Saiba que um dente recém-erupcionado (mesmo os permanentes) não está totalmente mineralizado e, por isso, merece muito cuidado;
-
Evitar contatos salivares. Lembre-se que as bactérias da cárie precisam de superfícies duras dentro da boca para se colonizarem e a chegada dos dentes possibilita sua instalação. Evite beijinhos na boca, assoprar o alimento e usar a mesma colher do bebê;
-
Estar atento a quedas e batidas com a boca, comuns quando o bebê começa a dar os primeiros passos.
-
A sequência mais provável de "nascimento" dos dentes de leite é: incisivos centrais, incisivos laterais, 1º molar, caninos e 2º molares.
Deixa eu ver essa boquinha...
A idéia é esclarecer as dúvidas maternas sobre a melhor e mais saudável forma de cuidar dos dentes da meninada desde o seu nascimento.
A série de matérias sobre a saúde bucal das crianças ainda irá abordar temas como higiene oral, alimentos, chupetas, traumatismos dentários e prevenção, com orientações e dicas para as mamães.
Todas as variações e dúvidas do que foi abordado, como época de erupção, atrasos de dentes isolados, coloração gengival, aspecto dos dentinhos, sequência ideal de erupção, casos de grande irritação do bebê, entre outros, poderão ser abordadas com o seu odontopediatra. Alguns temas serão tratados mais detalhadamente nas próximas edições.
Odontopediatra
Tel: (11) 3873-8555
e-mail: dracintia@uol.com.br